Friday, June 29, 2012

ARQUITETURA ECLÉTICA

A arquitetura eclética tem como característica o emprego ou a mistura das mais variadas tendências arquitetônicas numa única construção. Ornamentos com influências do gótico, neoclássico, barroco, mourisco, bizantino, entre outros, eram utilizados para compor as fachadas dos edifícios.

No Brasil, a partir da segunda metade do século XIX, os recursos financeiros provenientes da produção cafeeira financiaram transformações nos principais centros urbanos do país. A riqueza gerada pelo café incentivou o comércio nas cidades em crescimento, modificando os padrões de consumo da elite urbana.

Os novos materiais, cores e ornamentos produzidos em série pela indústria passaram a compor as fachadas dos edifícios, modificando a paisagem urbana. As residências projetadas nos mais diversos estilos identificavam a posição social de seus proprietários. Para atender às novas solicitações de urbanização, os governos promoveram a abertura de avenidas, construíram edifícios públicos, instalaram redes de abastecimento de água, iluminação, esgoto e às linhas de transporte coletivo, os bondes elétricos.

Vitória não ficou alheia a estas transformações. Também aqui se formou uma burguesia ligada ao café que, atenta às novas tendências urbanísticas, adotou o ecletismo como modelo da nova cidade, construída sobre a cidade colonial.

No início do século XX, Vitória ainda era uma cidade pequena. A área urbana ocupada por seus habitantes estava distribuída num raio de um quilômetro de extensão. A cidade colonial não havia praticamente crescido, apesar do núcleo inicial ter sido fundado há mais de trezentos anos. As casas e os sobrados eram desalinhados, as ruas estreitas e tortuosas, não havia água encanada, sistema de esgoto, energia elétrica nem transporte coletivo. A primeira concessão para instalar uma linha de bonde e carros de tração animal para transportar passageiros e mercadorias dentro do perímetro urbano é de 1905.

As transformações da cidade ocorrerem nas três primeiras décadas do século XX. No entanto, a ruptura com o passado colonial foi definitiva. Foram os recursos provenientes do café que possibilitaram as alterações no desenho da cidade.

Nesta época, destruir para construir não constituía motivo de inquietação para a elite que gerenciava as transformações. Becos e ruelas desapareceram para dar lugar a ruas largas e pavimentadas, ladeiras foram redesenhadas e substituídas por escadarias monumentais, prédios antigos foram demolidos para dar lugar a novas construções em estilo eclético. É neste momento que ocorre a demolição da Igreja da Misericórdia e da Igreja de Nossa Senhora da Vitória. O conjunto formado pelo Colégio de Vitória e Igreja de São Tiago, hoje Palácio Anchieta, inteiramente reformado, passou a apresentar características da arquitetura eclética, bem ao gosto da burguesia do início do século XX.

No final do governo de Jerônimo Monteiro (1908-1912), os habitantes da cidade já contavam com água encanada, serviço de limpeza pública, hospital, ruas iluminadas e bondes elétricos. As transformações, planejadas e iniciadas na primeira década do século XX, foram executadas principalmente durante o governo de Florentino Avidos (1924-1928). Neste período, a cidade transformou-se num grande canteiro-de-obras. Somente a partir desta década é que Vitória passou a contar com uma via de comunicação direta ligando os dois extremos da cidade, da Avenida Capixaba até a Vila Rubim, podendo também estar em contato permanente com o continente, através da ponte Florentino Avidos.


Publicado por cassilhas @ 12:23 AM
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